Veneza para iniciantes: modo de usar 

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Veneza é uma cidade que está presente nos sonhos de quase toda a humanidade. A imagem dos canais cortados por gondoleiros e casais felizes passeando por entre construções históricas é mesmo de tirar o fôlego. E, por isso, a cidade é este sonho de consumo, que atrai 12 milhões de visitantes todos os anos. Até os famosos gostam de passear por ali. Foi em Veneza que o ex-solteirão cobiçado George Clooney resolveu celebrar sua união com a advogada Amal Alamuddin, em setembro deste ano.

A despeito de algumas opiniões de que Veneza era cheia demais, turística demais e também não cheirava bem, resolvemos encarar a cidade em família. E foi a melhor coisa que fizemos. Até agora, foi o lugar mais lindo e inesperado que já conheci. Neste post, você vai ver tintim por tintim do que precisa para sua primeira viagem à Sereníssima, incluindo a melhor região para se hospedar, quando ir, como economizar e quais atrações não deixar de ver. Confira.

Onde se hospedar em Veneza
A cidade de Veneza é dividida em seis sestieri, espécie de bairros. São eles: Cannaregio, San Marco, Castello, Santa Croce, San Polo e Dorsoduro.

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O município é pequeno e é uma delícia fazer tudo a pé. Portanto, minha dica é que você não fique no coração da área turística, que é San Marco, onde estão as atrações imperdíveis como a Basílica de San Marco e o Palácio do Doge. Nesta região, as ruas são insuportavelmente cheias e os preços tendem a ser bem mais salgados.

Cannaregio é uma região tranquila e seus restaurantes têm preços mais acessíveis

Cannaregio é uma região tranquila e seus restaurantes têm preços mais acessíveis

Eu escolhi Cannaregio para me hospedar. O primeiro motivo: o bairro é extremamente tranquilo, com ruas e ruelas quase vazias. Gostoso de caminhar, observar os canais, descobrir Igrejas e campos (como as praças venezianas são chamadas), sem aquela sensação de estar na 25 de Março.

A segunda razão é que o acesso às principais atrações foi muito tranquilo. De onde eu estava, próximo ao chamado Gueto Judeu (o primeiro de toda a História), bastavam 15 ou 20 minutos de caminhada até a ferveção da Piazza San Marco. Para quem chega de trem, o acesso é bem mais fácil, com poucas pontes a atravessar (todas com degraus). Muito próximo, também havia um ponto de vaporetto, os grandes barcos responsáveis pelo transporte público na cidade. Em Veneza, como se sabe, não há carros ou ônibus. Embora seja bacana como experiência, a alternativa é cara como transporte. Em setembro de 2014, a passagem do barco custava 7 euros.

A terceira razão pela qual gostei de ter ficado no Cannareggio foi a economia. Os restaurantes e supermercados eram mais baratos, bem como o aluguel dos apartamentos – que foi a hospedagem escolhida por nós.

Hospedando-se em Mestre
Mestre é a parte continental de Veneza, a poucos minutos da ilha. Conversei com algumas pessoas que preferem se hospedar em Mestre, pela economia e conforto. É que, na Veneza histórica, os hotéis são muito caros e, geralmente, muito antigos. Em Mestre, você se hospeda em hotéis melhores, mais confortáveis e até luxuosos pagando menos do que na parte insular. Para chegar a Veneza, basta pegar um ônibus de Mestre até a Piazzale Roma, que leva menos de 20 minutos e custa 2,50 euros. Não se esqueça: tanto nos ônibus em terra firme quanto nos vaporettos, é preciso validar o bilhete antes de embarca, sob pena de uma multa bem salgada.

Quando ir

A partir de setembro, as temperaturas estão mais agradáveis

A partir de setembro, as temperaturas estão mais agradáveis

Nos meses de julho e agosto, alta do verão europeu, as ruas estão lotadas de turistas e os preços, nas alturas. Em setembro, as temperaturas estão um pouco mais amenas e os preços começam a diminuir um pouco. No primeiro domingo de setembro, acontece a Regata Histórica, evento no Grande Canal que ocorre desde o século XIII.

A primavera, de março a junho, tem temperaturas agradáveis. As cheias em Veneza, como vemos na televisão, com as pessoas andando de galochas pela Piazza San Marco, geralmente ocorrem entre novembro e abril.

Como gastar pouco em Veneza
Por Veneza fazer parte do sonho de consumo coletivo do planeta, eu imaginava que a cidade era super cara. Como era a primeira cidade da viagem pela Itália, logo pensei que estouraria o orçamento ali mesmo. Pois o que ocorreu foi o contrário. Veneza foi o lugar onde mais economizei.

Primeiramente, optamos por um apartamento em vez de um hotel, o que barateou o custo da estada e facilitou a vida, já que estávamos com uma criança pequena.

(Quer a dica do apartamento que ficamos? Veja AQUI o link do dele).

A segunda razão é que os restaurantes próximos de casa eram mais baratos do que os perto de San Marco. Na Itália, não é como no Brasil, onde pedimos um prato que vem arroz, feijão e carne ou macarrão e carne. Lá, existe o primo piatto, que pode ser uma sopa, risoto ou massa. E o secondo piatto, que é a carne. O primo piatto costuma ser bem acessível, entre 6 e 14 euros, dependendo do restaurante e da cidade. A carne costuma ser mais cara. Se os dois não quiserem comer massa e quiserem gastar pouco mesmo assim, tente um intercâmbio. Um pede o primo piatto, o outro pede o secondo piatto.

Optamos por cozinhar a maioria das refeições em casa, o que também gera uma grande economia. Havia um supemercado – da rede Billa – bem próximo do apartamento e com preços baixos. Conseguimos comprar vinhos produzidos na região (ótimos) a 1,50 euro a garrafa, massas Barilla a menos de 1 euro, bem como molho de tomate e condimentos de primeira qualidade.

Como preferimos fazer os passeios a pé, para explorar melhor a cidade, também não gastamos quase nada com transporte. Pegamos o vaporetto apenas uma vez.

As principais atrações de Veneza
São muitas as atrações em Veneza e, como tínhamos poucos dias, tivemos de escolher as que mais queríamos ver, levando em conta que era a primeira viagem ao local.

Basílica de San Marco

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Basília tem mosaicos de artistas renomados

A Basílica San Marco, certamente, é um must-see da cidade. As filas chegam a ser quilométricas, mas tente chegar por volta da hora do almoço. Neste horário, os turistas que chegam em cruzeiros estão almoçando. Fiquei na fila menos de 10 minutos. Antes de entrar na fila, no entanto, guarde suas mochilas e bolsas na chapelaria da igreja.

O ingresso à basílica é gratuito e isso vale muita coisa. Você poderá ver os belos mosaicos na parede, sem pagar nada por isso. Para subir ao museu e acessar a parte externa da igreja, com vista para o Canal de Giudecca, para a praça e seus monumentos, é preciso pagar uma taxa de 4 euros. A vista vale cada centavo. Tenha em mente que a escada é íngreme, com degraus estreitos – não é indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que estejam com bebês.

Palazzo Ducale
Quando a Itália não era unificada e a região era formada por Estados Independentes, um dos mais poderosos era o Vêneto, região da qual Veneza é capital. Pois bem, o Palazzo Ducale ou Palácio dos Doges é onde moravam os doges, que eram os “reis”, “imperadores” de Veneza. Além da vista fenomenal que os doges tinham para o Canal de Giudecca e para a bela Piazza San Marco, eles ainda contavam com um luxo só.

Visitar o palácio é ter de segurar o queixo a cada nova sala onde você entra. De cara, o pátio é lindo, com uma fonte e escadaria dourada para acessar as salas. Quando você sobe pela escada, não sabe se olha pro chão, pro teto ou se segura no corrimão para não cair.

A opulência do Palazzo Ducale é a herança da Sereníssima República de Veneza

A opulência do Palazzo Ducale é a herança da Sereníssima República de Veneza

As salas são fenomenais. Ricamente decoradas, com obras maravilhosas, mobiliário lindo. É mesmo de cair o queixo. E, quando você acha que já viu a sala mais linda do palácio, a próxima é sempre mais matadora. Na visita, você verá a Câmara do Grande Conselho, a Sala do Conselho dos 10, a Sala do Conselho Maior. Nesta última, está a maior pintura a óleo do mundo, de Tintoretto.

Poderá visitar ainda a antiga prisão e passar pela Ponte dos Suspiros, de onde os prisioneiros viam, antes de serem trancafiados, o mar e a liberdade ficando ali fora.

O palácio fica muito cheio, especialmente nos finais de semana. Agende sua visita, comprando o ingresso pela Internet, para evitar as longas filas. O ingresso inteiro custa 16 euros. E chegue cedo para poder passear pelas salas.

Dá uma olhada no que te aguarda neste link:

Na Piazza San Marco, há outras atrações como o Campanile e a Torre do Relógio. Infelizmente, não pudemos ir a estas atrações, mas elas fazem parte do roteiro da maioria dos visitantes. As filas para o Campanile também são imensas, então é melhor chegar cedo.

Rialto
A Ponte Rialto é a mais antiga ligação entre os dois lados do Grande Canal. Em forma de arco, fica tomada de turistas que querem observar a saída dos passeios de gôndola, logo ali abaixo. Ali, também funcionou o famoso Mercado de Rialto.

Rialto foi a primeira ponte a ligar os dois lados do Grande Canal

Rialto foi a primeira ponte a ligar os dois lados do Grande Canal

Para quem gosta de museus e arte, não deixe de visitar Galleria Dell´Academia e a Coleção Peggy Guggenheim

Opções de bate-volta a partir de Veneza
Veneza é por si só magnífica, mas se você tiver tempo e pique para visitar alguma outra ilha da região, há boas opções de bate-volta, como as ilhas Burano, Murano e Lido. Para chegar até elas, basta uma passagem de vaporetto.

Em Burano, o chamariz são as casinhas coloridas e o artesanato. Murano é famosa pela confecção de vidros. Eles estão em todos as vitrines, em copos, artigos de decoração, colares, anéis, pulseiras. Mas, se tiver pouco tempo em Veneza, eu não recomendo deixá-la para ver Murano.

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TEXTO: ÉRICA FRANÇA
FOTOS: ÉRICA FRANÇA E FÁBIO MENDES

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30 thoughts on “Veneza para iniciantes: modo de usar 

  1. camila

    Super completo este post e pode ajudar muitas pessoas que nunca foram pra lá a se localizarem legal por lá,linda cidade desejo de toda a humanidade com certeza.
    beijokas

  2. Camila Mondaini

    Nossa cada vez que venho aqui vejo um lugar diferente que gostaria de conhecer. Veneza parece ser sensacional e mal vejo a hora de ir lá conhecer.
    Parabéns pelo post!
    beijinhos.

    1. Fábio Mendes

      Eu também adoraria morar lá, mas só alguns meses do ano. No inverno, não fica tão bonita e romântica. Bom mesmo seria morar uns meses em cada país. Hahahahahahaha.
      Beijos!

  3. thamires vasconcelos

    Pra mim, Veneza é a cidade mais romântica do mundo. Nunca a visitei, mas todas as cenas românticas que imagino acontecem lá…
    Quero muito conhecer essa cidade encantada.
    Seu post só instigou o meu desejo. Já vou planejar e orçamentar para setembro próximo. 😀
    Bjo

    1. Fábio Mendes

      Que legal, Thamires!! Se for mesmo em setembro, tente conferir a Regata Storica: é inesquecível!!! Beijos e tenha uma ótima viagem!!!!

  4. Paula Cardoso

    Esse é um daqueles posts que me enchem o coração e me fazem fechar os olhos e viajar pelo que me descrevem. Veneza, a cidade do amor, uma cidade com uma beleza incrível que não me canso de ler. Obrigado por ter trazido até mim mais de Veneza…

    BeijinhoBom
    Paula Cardoso
    Magia nas Palavras ♥

  5. Rafael

    Realmente é um encanto esse lugar, em pensar que aqui no nosso país poderíamos ter lugar tão bem cuidado e belo como esse, chega a desanimar
    Gostei do post e da forma como resenhou, quem não conhece ao vivo e a cores com certeza fez uma “viagem” aqui

    Abçs
    Rafael

  6. Minda Silva

    Simplesmente UAU!
    Amei as fotos e as dicas são mesmo especiais, assim fica bem mais fácil quando a gente sabe onde ir.
    Os detalhes fazem toda a diferença, é um lugar de sonho e romance …

    Bjos
    Minda ❤ ?

  7. Luma Vieira

    Que belo passeio! Este lugar é muito bonito, tenho vontade de conhecer ainda mais com as dicas que você passou ja pode tornar realidade mais rapido. Gostei da sensação de não estar na 25 de março rs. Super beijo

    1. Fábio Mendes

      Pois é, Luma. Veneza é incrível! E sem enfrentar congestionamento de gente é melhor ainda. Espero que consiga visitá-la logo. Beijos!

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