Galleria Degli Uffizi: viaje no Renascimento

Galleria Degli Uffizi

A Galleria Degli Uffizi abriga algumas das obras fundamentais do Renascimento

É difícil ir à Itália e não dedicar alguns dias a Florença, mais conhecida como o Berço do Renascimento. Praticamente impossível é ir à cidade e não visitar a Galleria Degli Uffizi. É apenas e tão somente um dos maiores museus do mundo e abriga algumas das mais fantásticas obras da renascença, como os quadros “A Sagrada Família”, de Michelângelo, e “O Nascimento da Vênus”, de Botticelli.

Galleria Degli Uffizi

Das janelas, temos uma vista belíssima do rio Arno e da Ponte Vecchio

Inaugurado em 1580, quando a então República de Florença atingia seu auge, o imponente edifício foi construído às margens do rio Arno, muito próximo ao Ponte Vecchio. O nome advém da sua finalidade: ali seriam instalados os escritórios das magistraturas, que antes estavam espalhadas pela cidade. Mas já no ano seguinte, o duque Francisco I de Médici transforma um dos andares em uma gigantesca galeria de arte. Seria a sua verdadeira vocação nos séculos seguintes.

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A Galleria Degli Uffizi é daqueles museus gigantescos, intensos, inebriantes. Se alguém me perguntar quanto tempo é necessário para dar conta de tudo aquilo, eu responderia “A vida toda”. Como isso não é possível, dedique o máximo de tempo possível. Menos de três horas é sacrilégio. Se viajar com a família, o melhor é revezar: um vai ao museu e o outro cuida do(s) filho(s). No dia seguinte, inverta os papéis. Tentamos isso e deu muito certo!

Garantindo a entrada

Galleria degli Uffizi

Pintores estrangeiros, como Rubens e Goya, estão reunidos no Primeiro Piso

Duas recomendações são fundamentais para visitar um museu do porte da Galleria Degli Uffizi. Em primeiro lugar, reserve antecipadamente seu bilhete de entrada pela internet: é rápido, prático e lhe poupará tempo, já que você terá de pegar apenas uma fila, em vez de duas. E acredite, você não vai querer pegar essa primeira (e gigantesca) fila.

No site oficial do Firenze Musei você consegue reservar bilhetes não só para a Galleria Degli Uffizi, mas também para outros museus, como a Galleria Della Accademia ou as instalações do Palazzo Pitti. A entrada cheia custa 8 euros, mais uma taxa de 4 euros pela reserva online.

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A segunda recomendação é ir à Galleria Degli Uffizi o mais cedo possível. Na hora da reserva você escolhe quando deseja entrar. Não titubeie e reserve o primeiro horário (das 8h15 às 8h30). Mesmo assim, convém chegar com meia hora de antecedência. Vá com o comprovante já impresso e leve-o ao guichê específico, localizado ao lado da entrada principal.

O museu

Galleria Degli Uffizi

O Ministério da Saúde adverte: A Tribuna provoca queixo caído e torcicolos

O passeio propriamente dito começa de cima para baixo. Antes de chegar ao segundo piso, você já se depara com uma série de bustos dos maiores nomes do império romano, como Augusto, Settimio Severo e Adriano, além de uma grande estátua de Trajano. É um belo aperitivo para o que virá a seguir.

Galleria Degli Uffizi

Os bustos de Adriano, Augusto e Settimio Severo enfeitam as primeiras alas do museu

Logo de cara, você se depara com uma espécie de tentação arqueológica: três corredores, em formato de U, apinhados de estátuas e bustos de mármore. As peças foram produzidas pelos romanos, entre os anos 40 e 200 D.C., e são cópias de originais gregos, criados antes da Era Cristã. Estátuas de deuses pagãos e personagens da mitologia helênica se espalham pelas alas de uma forma estonteante.

Galleria Degli Uffizi

“A Sagrada Família”, de Michelângelo, é uma das vedetes da Galleria Degli Uffizi

Mas resista a esses encantos e vá logo para as primeiras salas à esquerda. É lá que estão os quadros mais emblemáticos de todo o Renascimento, como “A Sagrada Família”, de Michelângelo, “O Nascimento da Vênus” e “A Primavera”, ambos de Botticelli. Esses quadros são uma espécie de Monalisa da Galleria Degli Uffizi, portanto corra logo para lá antes que esses locais fiquem entupidos de gente.

Depois de degustar com tranquilidade essas obras, é o momento de apreciar os corredores e outras salas, como as que abrigam quadros dos primeiros anos do renascimento, no finalzinho do século XV. Essas alas dão acesso à fantástica Tribuna. Trata-se de uma sala em formato octogonal, com acabamento extremamente luxuoso nas paredes, piso e na impressionante abóbada. Como se não bastassem, nesse local foram guardadas algumas das mais belas obras da coleção dos Médici. Há três acessos à Tribuna, mas você precisa ver tudo do lado de fora. Ah, claro que haverá fila para isso.

Galleria Degli Uffizi

“A Primavera”, de Boticcelli, é outro clássico do museu

Mais arte e história
Os outros setores dispostos no segundo piso também são impressionantes. A Sala das Nióbidas é uma das mais esplêndidas. Ela conta com várias estátuas, reproduzindo a morte dos descendentes de Niobe, esposa do rei de Tebas, Anfião. Mais à frente, há salas com sarcófagos do século II D.C. Para encerrar sua jornada pelo segundo piso, há uma ala dedicada à arte medieval, com quadros dos séculos XII e XIII.

Foi puxado, não é? É muita informação, muita arte, muita beleza em um lugar só. Então você merece relaxar um pouco. Descendo ao primeiro piso, faça um pit stop na cafeteria, para tomar um delicioso expresso e vislumbrar a belíssima vista do Palazzo Vecchio e do Duomo, que estão ali perto.

Saindo da cafeteria, a primeira ala é dedicada aos pintores estrangeiros do Renascimento. Aqui você encontrará belas obras de artistas como os espanhóis Goya e Velásquez, o holandês Rembrandt e o belga Bruegel. No térreo, mais salas dedicadas aos renascentistas locais, como Rafael, Bronzino e Tiziano.

Galleria Degli Uffizi

A “Cabeça de Medusa” foi pintada em um escudo

A última ala é dedicada à escola chiaroscuro de pintura, uma das mais influentes do Renascimento. Seu principal nome, Caravaggio, está muito bem representado na Galleria Degli Uffizi, já que muitas de suas obras primas estão lá.

Um bom exemplo está logo na entrada da ala chiaroscuro. A impactante “Cabeça de Medusa”, pintada em um escudo, reproduz o momento em que a criatura, horrorizada, contempla o próprio olhar. É daquelas obras para se deter por longos instantes.

Seguidores do mestre, como Bartolomeo Manfredi e Gherardo delle Notti, também estão representados em várias obras, cujo realismo das sombras e luzes chama a atenção.

Galleria Degli Uffizi
Horário: De terça a domingo, das 8h15 às 18h50
Entrada: Inteira: 8 euros; meia 4 euros
O museu não funciona às segundas-feiras e também no dia 1º de maio e 25 de dezembro

TEXTO: FÁBIO MENDES
FOTOS: ÉRICA FRANÇA E FÁBIO MENDES

 

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6 thoughts on “Galleria Degli Uffizi: viaje no Renascimento

  1. Lucimar da Silva Moreira

    Realmente Fábio não dar pra ir à cidade e não visitar a Galleria Degli Uffizi, ir ao museu é um passeio emocionante, que lindas as artes, que incrível a Cabeça de Medusa, Fábio belíssima as fotos, abraços.

    1. Fábio Mendes Post author

      Quando for a Florença (digo sempre “quando”, porque com esforço tudo conseguimos), prepare-se então. É uma loucura!! Beijos!

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