Em Salto, o rio Tietê volta à vida

Salto

Quedas d’água ajudam a oxigenar o rio

Todas as vezes que passo pelo rio Tietê em São Paulo me dá um aperto no peito. Mas é só isso. Sei que ele nasce em Salesópolis e que vai sendo poluído ao chegar nas cidades mais populosas da Grande São Paulo. Mas meu conhecimento não vai muito além disso. E, apesar de eu acreditar ter uma consciência ambiental, acabo por não pensar muito no assunto.

Ontem (7/2/2010), no entanto, tive a oportunidade de conhecer o Complexo Turístico da Cachoeira, do rio Tietê, na cidade de Salto, interior de São Paulo. Ali, em uma barragem, o Tietê enfrenta uma caída e fica mais caudaloso. Seu leito vai se alargando rumo ao interior de São Paulo, onde ficará novamente navegável e volta a ganhar vida.

Mas o que mais me chamou a atenção e me fez realmente pensar sobre o assunto – rio Tietê e sua preservação, sua importância no Estado – foi o fenômeno da piracema. Ali, em Salto, logo abaixo da cachoeira, dezenas de peixes davam saltos ornamentais em busca de um local para reprodução. Contra a corrente e as adversidades, como a poluição da água, pulavam incansavelmente. Um espetáculo para os olhos e para a alma. Não acreditei que naquele ponto, onde a água é marrom e não se livrou ainda de papéis, plásticos e garrafas pet, os peixes já conseguem encontrar oxigênio pra respirar e força para brigar contra a corrente e se reproduzir. A natureza é realmente fabulosa e busca sua conservação em condições adversas.

Ao lado da cachoeira e com uma bela vista para ela, há um Memorial do Tietê, com informações ricas sobre o “rio teimoso”. São fotos, mapas, documentários e jogos interativos que mostram ao público a importância deste rio que corta praticamente todo o Estado e como ele segue lutando por sua vida, mesmo depois da mudança de seu curso na capital de São Paulo e de sua degradação ambiental em dezenas de cidades.

O Tietê tem mais de mil quilômetros de extensão e deságua no rio Paraná, no Estado de Mato Grosso do Sul. O impressionante é que ele nasce a apenas 22 quilômetros do mar e, contra o que era de se imaginar, não segue rumo ao oceano. Ao olhar para a Serra do Mar, logo onde nasce, o rio prefere ser teimoso e atravessar todo o Estado, em sentido inverso, até chegar no rio Paraná. Desta forma, enriquece todo o Estado de São Paulo, resignado e altruísta.

É engraçado pensar que apenas olhando aqueles peixes buscando o local ideal de reprodução em meio às dificuldades compreendi a riqueza e grandeza deste rio e passei a dar importância a informações que antes desconhecia.

Impressionante também que bastaram um pequeno passeio e uma passagem de ônibus R$ 2,20 de Itu a Salto – eu já estava em Itu por outras razões que não turismo – para que tanta coisa se abrisse à minha frente e minha mente enxergasse muito além do usual.

Viajar é realmente maravilhoso e abre os horizontes. Mas pequenas saídas dos lugares aos quais já estamos acostumados são suficientes para garantir-nos novos pontos de vista, novos conhecimentos e experiências. Por isso, me considero uma viajante em tempo integral. Ao mudar um dia o caminho do trabalho, já é possível descobrir muita coisa nova. E divertir-se e aprender com elas.

Quem quiser visitar o Memorial pode entrar no site de Salto (www.salto.sp.gov.br) ou ainda obter informações pelo telefone do Balcão de Informações Turísticas, o 4029-4718.

ÉRICA FRANÇA

 

 

 

11 thoughts on “Em Salto, o rio Tietê volta à vida

  1. Débora

    Érica,
    Uma vez fui à Salesópolis ver a nascente do Rio Tiête. Olha, é impressionante e muito lindo. Vale a pena conhecer também.

  2. Izabel (fã nº 01)

    Lindo…absolutamente necessário e, como o rio é persevarante e briguento, sem reclamar…que siva de lição a todos…..bjus…te amo

  3. Inez (fã 00)

    Quanto ao rio, tudo é verdade, mas acredito que ainda o veremos vivo novamente. E a voce, uauuuuuuuuu! Que orgulho!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Marlene Reis

    Ai que saudade de vcs!!!!!!!! E agora tbm quero conhecer ….rs

    Beijos

    Amo vcs!!!! Saudades!!!

    PS… mais uma fã puxa-saco…huahuahaua

  5. Alessandra de Assis

    Engraçado que todas essas questões abordadas, percebidas e comentadas só fazem reforçar a necessidade de se investir, seriamente, na Educação. Tenho a impressão que há vergonha de se descobrir e aprender sobre a nossa história. Não aquela de datas e seus vultos importantes. Mas essa coisa simples, que parecendo brincadeira nos faz comentar, “nossa, onde aprendi isso?”. E nesse seu texto você conseguiu o que a escola, de modo geral, tenta fazer há anos: INTERDISCIPLINARIDADE. Parece palavrão, mas você falou de História, Geografia, Ciências e Biologia. Sem deixar traumas. Tendo o jornalismo como instrumento. Parabéns.

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