A minha Buenos Aires

Buenos Aires

Vale a pena visitar o café mais famoso da cidade.

Na primeira vez que visitamos Buenos Aires, fomos assaltados. É pedir pra ser assaltado quando você esquece que está em um local que não conhece e anda com a câmera no pescoço, não é?

Da segunda vez, coloquei na minha cabeça que cara-de-turista-nunca-mais. Alugamos um apartamento. Uma vez lá, eu acreditei piamente que havia morado ali minha vida inteira e, andando sozinha pelo bairro, até me pediram informação – que eu não pude dar, porque não conheço a cidade nem a língua da forma que deveria. Mas percebi que passava por uma local em Buenos Aires.

Fiquei orgulhosa em saber que me confundiam com uma portenha. Porque as portenhas, em geral, são bonitas, educadas, elegantes e magrinhas. E nada melhor do que andar tranquilamente sem aquela cara de turista.

Alguns brincam que sou “paga pau de argentino”. Mas não há como não ser. Buenos Aires é encantadora. Os portenhos são gentis e é possível respirar cultura pelas ruas. E política. Gosto de pessoas engajadas e politizadas. E pessoas que gostam de ir ao cinema, ao teatro.

Gosto de Buenos Aires porque gosto de São Paulo – vejo muito de uma cidade na outra. Mas a cidade lá é São Paulo algumas décadas atrás – um pouco mais tranqüila, talvez menos populosa, com os prédios públicos melhor preservados, moradores que saem às ruas às 23 horas para passear com as crianças e os cachorros. Isso é impagável. Pena que o metrô fecha cedo (não conte com ele após as 22h30, prefira os táxis, com tarifas amigáveis).

Mas preciso visitar Buenos Aires muito mais para realmente conhecer a cidade e descobrir os lugares escondidos e charmosos. Porque até agora fui aos pontos turísticos, não menos charmosos, e andei, andei, andei e andei. Não há melhor coisa a se fazer na cidade do que se perder pelas ruas de bairros arborizados como Palermo ou históricos como San Telmo. E entrar nos cafés, simplesmente por uma medialuna, mesmo que não seja a primeira do dia. 😉

Vale a pena:

La Bombonera – Mesmo para os que não são obcecados por futebol, como eu, vale a pena conhecer o estádio e o museu do Boca Juniors, pela história do clube e do bairro onde está instalado. É possível aqui também traçar um paralelo com nossa terra. Em São Paulo, o Palmeiras é um time que nasceu da colônia italiana – como o Boca por lá.

Buenos Aires

Visitar o estádio é uma experiência única para os fãs de futebol

Café Tortoni – É sim o café mais famoso de Buenos Aires e é possível se encantar com seu interior que te remete há décadas e é, ao mesmo tempo, cosmopolita, com pessoas de todos os mundos o visitando. E, claro, muitos brasileiros, sempre.

Parques de Palermo – Uma visita ao Parque Três de Febrero e outra ao Jardim Japonês valem a viagem. Deite na grama do parque, observe o lago, curta a tranqüilidade e observe os dog-walkers ou passeadores de cachorro, como preferir. No Jardim Japonês, tire fotos e mais fotos. Embora turísticos, estes lugares são bem tranqüilos. Aproveite a preguiça.

Malba – Não entendo de arquitetura e, justamente por isso, confesso que o prédio em si não me chama a atenção. Mas ali dentro estão preciosidades de Tarsila do Amaral, Diego Rivera, Frida Khalo, Di Cavalcanti e muitos outros nomes da América Latina.

Helado de Dulce de leche – Não, eu não vou recomendar o da Freddo, não porque seja ruim – não é -, mas simplesmente porque há inúmeras sorveterias artesanais escondidinhas em ruas arborizadas, de paralelepípedos…E nestas sorveterias, estão os melhores helados de dulce de leche, dulce de leche granizado, chocolate granizado con dulce de leche. Ai, saudade…

Livraria El Ateneo, da Santa Fé – Instalada em um antigo teatro desativado, a maior livraria da América Latina é linda, de tirar o fôlego. No antigo palco, há um charmoso café. E nos camarotes, há poltronas confortáveis para leitura. Pegue um livro da Mafalda (Quino) ou das Mulheres Alteradas (Maitena) e sinta-se em casa.

Pode ficar para depois:

Delta do Tigre: Muitos não gostam, outros adoram. Eu fico no meio termo. Mas recomendo o passeio, especialmente se ele for menos turista e mais antropológico. Quando passeei pelo delta, de barco, era véspera de Natal, e eu e o Fábio éramos um dos dois únicos casais a passeio ali. Foi bacana ver a movimentação de quem ia às casas de veraneio passar o Natal com os familiares, aqueles que iam se hospedar lá, os vendedores de gelo e as pessoas se espremendo com seus champanhes e frutas para a Ceia. Mas se for apenas como turistão, imaginando ver uma paisagem totalmente diferente, deixe a viagem para uma outra oportunidade. Buenos Aires tem mais a oferecer. E o passeio do Tigre é menos empolgante do que o de Cananéia até a Ilha do Cardoso, no extremo sul do Estado de São Paulo, que é similar ao do país vizinho.

Puerto Madero: Muitos vão discordar neste ponto, mas não achei graça em Puerto Madero. É uma região bonita, claro. Talvez refinada demais para mim. Nos poucos minutos que fiquei ali, não senti que estava na capital argentina. Pode ser que a região mereça outra chance, mas quando voltei à cidade, não quis sequer dar uma passadinha por ali.

Caminito: Minha opinião em relação a este lugar específico pode ter muito a ver com o fato de que fui assaltada nas proximidades. De qualquer forma, por mais que o Caminito seja obrigatório em Buenos Aires, ele não vale, na minha opinião, mais que algumas fotos. A história do local é bacana, mas o artesanato e as lojinhas de souvenirs não se destacam. Se for ao Bombonera, visite o Caminito. Mas, dependendo do seu tempo na cidade, eu o deixaria para uma próxima.

Esforce-se:

El desnível: Voltando às experiências antropológicas, uma das mais válidas na minha opinião é comer no Desnível, na Calle Defensa, em San Telmo. O restaurante não te seduz à primeira vista. Mas o bife de chorizo te fará mudar de opinião. O lugar é tão roots que japoneses e europeus tiram fotos e mais fotos da churrasqueira, embasbacados. Você vai gostar também da conta, te garanto. Comendo e bebendo bem um casal gastará em média 80 pesos (ou cerca de R$ 40). Deixe a frescura na porta e entre no El Desnível.

Caminhadas: Mesmo que você não faça o estilo atleta, capriche no visual esporte, coloque seus tênis mais confortáveis e caminhe muito pela cidade completamente plana. Vale caminhar pela Recoleta, Avenida Santa Fé, Palermo, San Telmo e no centro.

Buenos Aires

Farol em funcionamento marca colonização portuguesa

 

Colônia do Sacramento, Uruguai:

Se você tiver pelo menos uma semana em Buenos Aires, tire um dia para um bate-e-volta em Colônia do Sacramento. Ruas de paralelepípedo, casas do período colonial – a cidade foi fundada por portugueses no século XVII – restaurantes charmosos, uma vista linda para o rio da Prata e um farol ainda em funcionamento, com ruínas de pedras. A comida do outro lado do rio não é tão boa assim, mas a vista do rio da Prata deste ângulo é recompensadora.  

 
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TEXTO E FOTOS: ÉRICA FRANÇA

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7 thoughts on “A minha Buenos Aires

  1. Fábio

    Lindíssimo texto. Traduz com precisão todos os nossos sentimentos sobre a cidade. Este texto é fundamental para mostrar aos turistas brasileiros que Buenos Aires é muito mais que a trinca Casa Rosada-Recoleta-Calle Florida.

    Beijos!

  2. Izabel (fã nº 01)

    Pelo seu entusiasmo dá até vntade de visitar a capital de los hermanos…um dia, talvez….mas seu texto está impecável.

    Bjus…te amo

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