Música: viajando com a banda No Te Va Gustar

no te va gustar

Existem formas e formas de viajar. Uma delas, que funciona bem para mim, é por meio da música. Deitar no sofá ou na cama, colocar uma música de que eu gosto bastante, fechar os olhos e me deixar levar. Se for um rock, ligá-lo bem alto e ficar pulando pelo quarto, com a cabeça em outro lugar. São vários lugares para os quais a música me leva. Quando ouço Keane, sou transportada para Londres. Se é Belle e Sebastian, sinto-me uma escocesa. Se ouço Coldplay, lembro-me de um show que assisti deles, na Filadélfia, e me transporto para aquela viagem maravilhosa. Foi maravilhosa porque eu estava comigo mesma e gostei muito da minha companhia.

Gosto muito quando a música traz características de um lugar e de um povo. Muitas vezes, não traz na letra, mas na melodia. Outras vezes, apenas o sotaque é suficiente para você se transportar. E há os gênios que, com músicas simples, te fazem sentir em uma cidade, em uma época. Isso acontece comigo, por exemplo, quando ouço Paulo Vanzolini, um cronista da terra da garoa. Amo São Paulo e ele me leva para algumas décadas atrás, quando era mais seguro sair pela madrugada e ouvir “uns bordões de violões”.

Desde 2009, quando conheci a banda No Te Va Gustar, é ouvi-la para me lembrar de Colônia do Sacramento, no Uruguai, onde fui apresentada à banda (ou a um CD, o TAN). Lembro ainda de Buenos Aires, onde fiquei por aquela semana, ouvindo o novo CD diariamente. E sempre sou transportada também para Montevidéu. Pelas músicas, dá para sentir um pouquinho do que é o Uruguai, seu povo, seus hábitos e crenças. A banda mescla rock e pop a ritmos regionais, como o candombe ou a música “gauchesca” (é assim que eu a chamo, pelo menos). Quase é possível ver os uruguaios de mate na mão. É muito interessante.

Mas a música nos envolve tanto e, às vezes, nos possibilita viagens físicas mesmo. Eu só tive coragem de pegar um ônibus e ir à Filadélfia, há seis anos, porque queria muito ver o Coldplay. Morava em New Jersey, não achei companhia, mas resolvi ir assim mesmo e me virar com a língua. Foi uma ótima experiência.

Agora, foi a vez do No Te Va Gustar me fazer não pensar em contas e distância e me mandar para Buenos Aires em um final de semana para assistir a um dos shows de lançamento de seu novo CD. No dia 16 de abril, lá estávamos nós, o Fábio e eu, no Luna Park, ansiosos. Ouvindo a plateia gritar pela banda (e sem entender bem o que eles diziam, além de NO-TE-VA-GUSTAR!), curtimos aquele clima de festa. Na pista (não fiquei lá, pois os ingressos já estavam esgotados) havia muitos argentinos, fãs da banda, e muita gente com bandeiras do Uruguai. Brasileiros, naquela noite, eu desconfio que éramos só nós mesmo. E, imagine, entre oito mil pessoas, em Buenos Aires, somente dois brasileiros. É difícil acreditar.

Quando começou o vídeo do making-of do disco, os pêlos do meu braço se arrepiaram. Eu não ia conseguir assistir àquele show sentada. E achei um lugarzinho ali na escada de emergência onde poderia pular à vontade. E pulei, pulei, pulei e pulei.

Assistir a um show de uma banda que se gosta é sempre divertido. Em terras estranhas, então, mais bacana. O clima é diferente, mesmo que a forma de se divertir seja parecida.

Ali do alto, assisti a dois shows: o da banda, claro, que foi espetacular. Duas horas e meia de muito rock ´n roll. E outro do público. Eu desconfio que, no Luna Park, haja uma mola sob a pista. Todos pulavam. Sim, TODOS. Quem  não queria pular, era levado pela orla de pessoas animadas e emocionadas.

Ao ouvir “De Nada Sirve”, com a citação de um poema de Mário Benedetti, senti-me orgulhosa por fazer parte da América Latina, de onde vem este poeta e esta banda tão bons. E, claro, onde há muitos outros talentos, de diversas áreas.

Quando ouvi “Tirano”, o orgulho de ser latina ficou um pouco abalado. Mas me solidarizei com uruguaios, argentinos, chilenos, ao perceber que somos todos irmãos realmente, que dividimos alegrias e fomos vítimas de ditaduras violentas.

Ao ouvir “Nunca más a mi lado”, me solidarizei de novo, com milhares de mulheres vítimas de violência em todo este mundo.

Bom, e quando ouvi “No era cierto”, “Cero a izquierda” y “Fuera de control”, bom, eu nem sei pra onde fui transportada. Sei que pulei como se não houvesse amanhã.

 

TEXTO: ÉRICA FRANÇA
FOTO: DIVULGAÇÃO

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8 thoughts on “Música: viajando com a banda No Te Va Gustar

  1. gaúcho

    No Te Va Gustar poderia incluir em suas formas de divulgação “de carona em carona”. Pois de completos desconhecidos, tornaram-se constantes pelas trilhas de Cubatão a São Paulo.

  2. luciano fernandes

    CONHECI AO ACASO, COM MEU AMIGO SEBATIAN (ARGENTINO), E AGORA NÃO SAI DO MEU CARRO E DO MEU MP3. QUANTA QUALIDADE! MUITO DIFERENTE DO ATUAL CENÁRIO MUSICAL BRASILEIRO, ONDE O COMERCIA E ESTÉRIL TOMARAM CONTA.

  3. Luiz

    Eu e minha esposa somos loucos por NTVG também… estamos tentando conseguir encaixar um Show deles na nossa agenda, já que eles não vão vir aobRio, vamos até eles.

    1. Érica França Post author

      Ai, Luiz, bem que eles podiam vir pra estes lados. Ando com vontade de dar um pulinho no Uruguai para vê-los novamente! E vale super a pena – além de ver o show, a gente ainda viaja…rs.

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