Museu Vaticano: o guia essencial que todo bom viajante precisa conhecer

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O museu é gigante, inebriante, encantador. Prepare-se para ser tragado por arte e história

O Museu Vaticano (ou Museus Vaticanos, como no original em italiano) é daqueles locais que te exigirão muito fôlego, não só por causa da longa caminhada para acompanhar tudo, mas principalmente por conta de tanta beleza, luxo e imponência.

Uma das mais importantes atrações de Roma (ou melhor, do Vaticano, menor país do mundo e encravado no coração da Cidade Eterna), o Museu Vaticano se distingue das demais por um motivo óbvio: além de atrair os turistas convencionais, que procuram por história, beleza e arte, ainda há os milhares de peregrinos, que em geral vão à Itália unicamente para visitar a Basílica de São Pedro, ver o papa e daí aproveitam para conferir o museu.

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Belas estátuas: o imperador Claudius, o servo Antinoo, a deusa Cerere e o herói Heracles

Isso parece uma informação trivial, mas não é. Os grupos são numerosos, surgem em grande número e se movimentam lentamente pelos corredores. O Museu Vaticano é, possivelmente, uma das mais lotadas atrações turísticas que você encontrará na Itália, e é preciso ter um certo jogo de cintura para não ficar preso no congestionamento de gente.

Para ajudar aos visitantes, nós listamos algumas das dicas mais importantes para visitar o máximo de atrações possíveis dentro do museu, aproveitando bem cada momento.

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Não leve crianças pequenas

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No piso, no teto ou nas paredes, o luxo e a riqueza de detalhes é impressionante

Levar crianças pequenas, mesmo que no colo, ao Museu Vaticano, é uma verdadeira tortura, tanto para os pais quando para os pequenos. O local vive lotado, as trombadas são inevitáveis e as chances de você ficar “travado” em alguma ala por causa da multidão é bem grande.

A solução para quem vai a Roma com as crianças e não quer deixar de visitar o local é o velho e bom revezamento. Essa tática é a ideal tanto para o Museu Vaticano quanto outros museus gigantescos pelo mundo, como o Louvre (Paris), Metropolitan (Nova York) ou a Galleria Degli Uffizi (Florença).

A tática é simples: em um dia, uma pessoa vai ao Vaticano, enquanto o companheiro (a) fica com as crianças. No dia seguinte, os papéis se invertem. Fazendo isso, você terá tranquilidade para visitar o local adequadamente, poderá ir no horário que achar melhor e não vai estressar os filhos. Fizemos isso e deu muito certo.

Antes de ir, descubra os atalhos

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Os grupos de excursão são o obstáculo a ser vencido. Tente sair na frente deles e aproveite

O Museu Vaticano é daqueles museus amplos, tanto nas dimensões quanto na variedade do que é exposto. Não à toa, seu nome é oficialmente tratado no plural (Musei Vaticani). São muitos em um só.

O edifício conta com dois pavimentos principais, onde se dividem todas as alas. Em dado momento, você vai se sentir em um labirinto, indo e voltando ao mesmo lugar. Isso se dá graças à distribuição das alas nos dois andares, que não é totalmente linear.

No pavimento inferior, você encontra os Museus Pio-Clementino e Pio-Cristiano (que reúne as principais obras religiosas do local), o Museu Gregoriano Profano (com obras mais “seculares” ou “laicas”), os luxuosíssimos Apartamentos Borgias e a ala do Chiaramonti.

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No Museu Egípcio está a múmia de Taimen , muito bem conservada após 2,5 mil anos

É também no primeiro pavimento que se encontram as principais atrações de todo o museu: a Capela Sistina, o Museu Egípcio e a Pinacoteca.

No pavimento superior, estão distribuídos a Sala de Rafael Sanzio, a capela de Nicolau V e o Museu Etrusco. Há ainda as alas dos candelabros, das tapeçarias e dos mapas, que fazem a alegria dos aficionados em geografia e história.

Não se furte a fazer um mapinha com as indicações das alas, salas e capelas do Museu Vaticano. Elas serão fundamentais para você chegar rápido onde quer e escapar das multidões quando necessário. Confira neste mapa os principais setores.

Reserve seu bilhete pela internet

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Mosaicos das Termas de Caracalla, mapa da Itália em 1581 e tapeçarias

Essa talvez seja a recomendação mais óbvia, mas nunca é demais lembrar: nem pense em ir ao Museu Vaticano sem ter comprado o bilhete pela internet. Aqui, você vai poder comprar os bilhetes online.

O ingresso inteiro custa 16 euros, mais a taxa de 4 euros para a compra pela internet. É possível comprar com até 60 dias de antecedência e é possível adquirir até 10 entradas.
Aproveite e também reserve o audioguia, que custa 7 euros e está disponível em vários idiomas, inclusive o português. Há uma versão para crianças de 6 a 12 anos, que custa 5 euros.

Assim como em outros museus, você encontrará duas filas gigantescas na entrada: uma para comprar o bilhete e outra para entrar. A segunda é um pouco menor e, se você já tiver comprado o ingresso, é só levar o voucher e aguardar a sua vez. Você vai ganhar um tempo precioso, que fará muita diferença.

IMPORTANTE: A entrada para o museu é gratuita no último domingo do mês, com exceção da Páscoa, 29 de junho (Dia de São Pedro e São Paulo) e nos dias 25 e 26 de dezembro. Em dias de entrada livre, não é possível adquirir entradas com antecedência. Então neste caso é necessário mesmo encarar a fila.

Chegue o mais cedo possível

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Cristianismo e paganismo nas estátuas “O Bom Pastor” e “Deus Anubi”

O Museu Vaticano funciona de segunda a sábado, das 9 às 18 horas e no último domingo do mês (gratuito), das 9 às 14 horas. Nossa recomendação é pegar o primeiro horário e chegar com no mínimo 40 minutos de antecedência, para pegar um bom lugar na fila de entrada e, assim, se posicionar melhor na hora de escolher o que visitar primeiro.

Os grupos de excursões também costumam entrar no Museu Vaticano nos primeiros horários. Por isso, algumas pessoas preferem ir no final da manhã, para não encontrá-los. Mas no nosso entendimento, essa tática não funciona muito bem, porque no final da manhã você acabará encontrando uma nova leva de visitantes, que se somará aos que já estão lá e ainda não visitaram tudo.

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Ânfora localizada no Museu Etrusco

Se o objetivo é escapar dos grupos e excursões, é muito mais fácil ir no mesmo horário e seguir em frente. Como esses grupos andam mais devagar e param muitas vezes para ouvir as explicações dos guias, eles vão ficando para trás com o passar do tempo. Se você for depois, fatalmente vai encontra-los pelo caminho, mais cedo ou mais tarde.

COMO CHEGAR: O meio mais fácil de chegar é de metrô: na Linha A, você pode desembarcar nas estações Ottaviano ou Cipro, que estão a alguns quarteirões da Cidade do Vaticano. Outra boa opção é de tram (bonde). A linha 19 termina em frente ao Vaticano, passando antes pela Villa Borghese e Porta Maggiore. Se for de ônibus, o acesso é pelas linhas 49, 32, 81, 982, 492 e 990.

Priorize a Capela Sistina e o Museu Egípcio

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Não é permitido fotografar no interior da Capela Sistina. Guarde tudo na retina

Cada museu tem a sua grande estrela, uma obra de arte ou uma ala para onde todos vão querer ir (e vão). No caso do Museu Vaticano, os locais mais procurados são, nessa ordem, Capela Sistina e Museu Egípcio. Não titubeie: vá antes nesses dois locais, que estão no pavimento térreo e são de rápido acesso.

Como eu e a Érica fizemos o revezamento para visitar o Museu Vaticano, pudemos comprovar o quanto essa tática dá resultado. A Érica foi seguindo o fluxo normal de visitação, deixando a Capela Sistina para depois. Ao chegar lá, estava lotado e mal pôde apreciar devidamente as obras de arte.

No dia seguinte, foi a minha vez de visitar o Museu Vaticano. Já advertido, fui direto para a Capela Sistina, local onde acontecem importantes eventos da Igreja, inclusive os famosos conclaves, em que os cardeais elegem o papa. Cheguei e estava praticamente vazio: menos de 15 pessoas em um espaço de quase 550 metros quadrados.

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Essa escultura é pré-histórica e tem 7.600 anos de idade

Pude até me sentar e admirar, tranquilamente, duas das maiores obras do Renascimento e, porque não, da história da arte.

A primeira obra está no teto da Capela Sistina. Ele é decorado por uma série de afrescos, cada um retratando uma importante passagem bíblica, com destaque para “A Criação de Adão”. O teto foi pintado por Michelângelo entre 1508 e 1512 e tudo indica que ele pintou tudo em pé, e não deitado sobre andaimes, como reza a lenda.

A outra grande obra está na parede do altar. Trata-se de “O Juízo Final”, outro belíssimo afresco concebido por Michelângelo, medindo 13 metros de altura, e pintado entre 1535 e 1541. Chegando cedo, dá para passar um bom tempo atento aos detalhes. Cada centímetro é uma nova descoberta. Aproveite, pois não é permitido fotografar no interior da Capela Sistina.

 

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A múmia de Amenirdis é outra que está exposta no Museu Egípcio

Depois da Capela Sistina, vá direto ao Museu Egípcio, que não fica muito longe. As atrações deste setor são inúmeras e também são daquelas de cair o queixo. Um bom exemplo está nos sarcófagos dos faraós Anet e Djedhoriuefankh, respectivamente da 20ª e 21ª dinastia.

Mas o que impressiona mesmo são as múmias de Amenirdis e Taimen, com mais de 2.500 anos de existência. A primeira está coberta e é possível apenas ver o relevo, mas da segunda é possível ver facilmente o rosto, as mãoes e os pés. Entre os dois corpos estão urnas com os órgãos internos de faraós, especialmente vísceras, que eram retirados antes de serem mumificados.

Algo que me impressionou particularmente é o setor dedicado à arqueologia da Antiga Mesopotâmia. Foi lá que surgiram as primeiras grandes civilizações. Aqui, encontram-se ânforas, vasos e outros objetos que remontam aos primórdios da Idade Antiga, como placas com a escrita cuneiforme, e até mesmo esculturas da pre-história, como uma pequena estátua feminina feita em 5.600 Antes de Cristo.

Curta o resto do Museu Vaticano a seu tempo

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O Apolo de Belvedere, uma das atrações do Museu Pio Clementino

Visitando em primeiro lugar os locais mais visitados, você se livra das multidões que irão pra lá, mais cedo ou mais tarde. E quando a maioria das pessoas estiver nos lugares mais concorridos, você poderá apreciar com mais calma outros setores. E ficar mais tempo naqueles que você mais apreciar.

No meu caso, me esbaldei na Galleria dele Carte Geografiche, um imenso corredor de 128 metros, repleto de mapas das regiões da Itália em 1581.

Em outra ala, também no setor “profano”, me encantei com os objetos encontrados durante escavações, nos séculos 18 e 19. São vários itens que datam do auge do Império Romano e alguns ainda mais antigos, no período da República (séculos 5 a 3 Antes de Cristo).

Para quem se interessa por quadros, um deslumbre total é a Pinacoteca, que pode perfeitamente estar entre os primeiros locais a ser visitados. A maioria das obras são do período renascentista. Ou seja: só biscoito fino.

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A incrível estátua de Laocoonte, flagrada pela turista

Rafael Sanzio está muito bem representado com “A Coroação da Virgem”, “Madonna de Foligno” e, principalmente, “A Transfiguração de Cristo”. Caravaggio, por sua vez, comparece com “A Deposição de Cristo”, bem ao seu estilo chiaroscuro. Há ainda obras de Tiziano, Botticelli e Fra Angelico.

Um dos locais onde mais me surpreendi foi no Museu Pio Cristiano. Imaginei haver ali apenas obras de arte retratando o Cristianismo, mas há muito mais que isso: o local conta com uma série de preciosos objetos, como lápides hebraicas que datam do Império Romano. Também chamam a atenção os antigos mosaicos que adornavam as imponentes Termas de Caracalla.

Há ainda antiquíssimos sarcófagos que datam dos primeiros séculos depois de Cristo e estão entre as mais antigas tumbas cristãs. Em algumas delas, há obras em relevo retratando passagens da Bíblia, como o sacrifício de Isaque e Jesus diante de Pilatos.

No Museu Pio Clementino, chamam a atenção as esculturas oriundas da Antiguidade Clássica, especialmente do auge do Império Romano. O destaque é a sublime estátua de Laocoonte, feita toda de mármore e que seria um dos adornos da Domus Aurea, a incrível residência do imperador Nero, onde hoje fica o Coliseu.

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Algumas das principais obras de Rafael estão no Museu Vaticano

SERVIÇO
Museu Vaticano
Endereço: Viale Vaticano, 165
Telefone: 0039 06 69884676/0039 06 69883145
Funcionamento: de segunda a sábado, das 9 às 18 horas. No último domingo do mês, funciona das 9 às 14 horas.
Datas em que não funciona, mesmo sendo o último domingo do mês: Páscoa, 29 de junho, 25 e 26 de dezembro.
Não abre nos dias 1º e 6 de janeiro, 11 e 22 de fevereiro, 19 e 28 de março, 29 de junho, 15 de agosto, 1º de novembro e 8 e 26 de dezembro.
Ingressos: 16 euros (inteira). Bilhetes comprados pela internet incluem uma taxa adicional de 4 euros.
Audioguia: 7 euros

FOTOS: FÁBIO MENDES E ÉRICA FRANÇA

 

20 thoughts on “Museu Vaticano: o guia essencial que todo bom viajante precisa conhecer

    1. Fábio Mendes Post author

      Lucimar. As múmias são impressionantes. Fiquei de boa aberta de ver como um corpo pode se conservar tão bem em mais de 2,5 mil anos. Abraços!

    1. Fábio Mendes Post author

      Oi, Nathy. Obrigado pelos elogios! 😀

      Continue acompanhando a gente. Temos muitas novidades para breve!! 😉

  1. Elizabeth Paes

    Belas imagens do museu Fábio. Gostei de apreciar e conhecer alguns detalhes do local. Acho que o que mais me impressionaria seria as grandes obras históricas que poderia ver de perto, com certeza, uma grande aula sobre os períodos históricos.

    1. Fábio Mendes Post author

      Oi, Elizabeth, obrigado! Um passeio pelo Museu é uma viagem pelo tempo, pela arte. É um lugar fascinante mesmo. Abraços!

    1. Fábio Mendes Post author

      Obrigado, Luciano. Anote todas as dicas e aproveite quando for. Ah, e não se esqueça de nos contar como foi. Abraços!

    1. Fábio Mendes Post author

      Obrigado, Nathalia. Eu vi vários grupos de católicos visitando o lugar e a emoção deles é algo tocante. Mas não é preciso sequer ser religioso para se impressionar. O lugar é incrível!

    1. Fábio Mendes Post author

      Oi, Claudinha, obrigado! A gente tem vários posts nesse estilo. Continue visitando o blog e deixando sua opinião. Abraços!

    1. Fábio Mendes Post author

      As imagens são de babar mesmo. Eu mesmo fiquei assim quando tirei as fotos. Hahahahahahahahahaha.

      Quando for ao Vaticano, passa aqui e conta como foi, ok? Abraços!

    1. Fábio Mendes Post author

      Que bom Jéssica! Espero que conheça o Vaticano, é um lugar incrível. E conte para nós como foi a viagem. Abraços!

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