Milão: guia básico para viajantes

Milão

Arte, história e moda te esperam na mais europeia das cidades italianas

Quando se traça um roteiro matador para a Itália, Roma, Veneza e Florença aparecem como paradas obrigatórias. Se a viagem for um pouco mais longa, entram outros roteiros, como Cinque Terre, Costa Amalfitana ou um passeio pela Toscana. Milão, no entanto, geralmente fica restrita aos aficionados por moda ou futebol. É uma pena: se houver tempo para explorar Milão, mesmo que em uma passada rápida, aproveite a capital da Lombardia. Vale muito a pena.

Milão é a segunda maior cidade da Itália e a mais europeia delas. As ruas são mais limpas, o trânsito é menos caótico e os cidadãos são mais educados e elegantes, porém bem menos falantes que seus compatriotas. Anote as dicas mais importantes para aproveitar ao máximo sua estada:

Quando ir
Por estar localizado no norte do país, bem próximo aos Alpes, as temperaturas em Milão são mais baixas que no restante do país. Em dezembro e janeiro, auge do inverno, prepare-se para encarar até -6º. No verão, especialmente em julho e agosto, os termômetros podem apontar mais de 30º. A partir de setembro, o clima fica mais ameno, assim como em abril e maio (primavera no hemisfério norte).

Ao contrário de outras cidades da Itália, Milão é um lugar onde chove bastante. A média pluviométrica anual é de 1000 milímetros e o clima é úmido a maior parte do ano.

Independentemente do clima, vale ficar atento aos grandes eventos fashion, que deixam a cidade abarrotada. O mais importante é o Milano Moda Donna, cuja primeira edição de 2015 acontecerá entre 25 de fevereiro e 3 de março. Para acompanhar os eventos seguintes é só clicar aqui. Se desfiles e afins não forem a sua praia, fuja da cidade nesta época.

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Chegando do aeroporto
Três aeroportos são utilizados para quem vai à capital da Lombardia. Para quem precisa fazer conexões de um terminal para outro, a melhor pedida são os shuttle: eles interligam os três aeroportos, com horários regulares e a preço bem mais baixo que os táxis. IMPORTANTE: Há muitos hotéis próximos a esses terminais, mas normalmente o acesso só pode ser feito de carro. Informe-se se seu hotel conta com transfer e em quais horários eles estarão disponíveis. A corrida de táxi é bem salgada e convém evitar.

Um dos três aeroportos é o de Orio al Serio, que fica na cidade de Bergamo, a 60 quilômetros de Milão, e é utilizado especialmente pelas companhias aéreas low cost, como a Ryanair. Suas taxas mais baixas permitem que essas empresas possam cobrar menos pelas passagens. O ônibus para Milão custa 5 euros (9 euros ida e volta). Há uma linha que vai direto à Rho Fiera, o grande centro de exposições da cidade (11,50 euros ou 19,50 ida e volta). É possível comprar online pela Autostradale.

O maior terminal é o de Malpensa, localizado em Ferno Varese. É o mais prático e acessível de todos. De carro são apenas 50 minutos até o centro, pelas rodovias A8 e E62. De ônibus, a melhor pedida são os ônibus da Malpensa Shuttle. A passagem de ida custa 10 euros (ou 16 euros ida e e volta) até o centro. Por trem, o caminho é o Malpensa Express. A passagem simples custa 12 euros; ida e volta sai por 18. Crianças de 4 a 14 anos pagam metade do preço e menores de quatro anos são isentos.

O aeroporto de Linate é o mais próximo ao centro de Milão. Se seu voo tiver escala em um dos países da União Europeia, seu desembarque provavelmente será neste terminal. Há vários shuttles para o centro, custando 5 euros. Se quiser reservar online, o Malpensa Shuttle leva até a estação ferroviária Rogoredo.

Transporte

Milão

O metrô de Milão é eficiente e leva aos principais pontos turísticos

Milão conta com uma boa rede ferroviária. As principais estações são Centrale, Porta Garibaldi e Rogoredo. Além de levar para vários pontos da região metropolitana, fazem integração com metrô, linhas de ônibus e também com os ramais nacionais e internacionais.

Uma boa forma de se locomover pela cidade é por metrô, que cobre os pontos turísticos mais importantes. Ele funciona das 6h às 0h30 e o bilhete dá direito ainda a uma integração gratuita com ônibus ou tram (bonde) no prazo de 90 minutos. Os bondinhos, aliás, cobrem quase toda a cidade.

Há dois tipos de tarifa: o urbano (1,50 euro) e o extraurbano (1,95 a 2,55 euros), que leva às estações mais distantes. E como o sistema identifica onde você vai descer? Na catraca de saída: ao deixar a estação você precisa inserir o mesmo bilhete usado na entrada. Por isso, guarde-o com você. Se você comprou o bilhete urbano, não conseguirá sair das estações extraurbanas.

Se for fazer muitas viagens de metrô e/ou tram por dia, vale comprar os bilhetes diários, com duração de 24 horas (4,50 euros) ou 48 horas (8,25 euros). Você encontra os bilhetes em bancas de jornais e nas máquinas automáticas das estações. Elas são simples de usar e há opções de atendimento em várias línguas, inclusive inglês e espanhol. Mais informações sobre o transporte público podem ser vistas aqui.

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Onde ficar
Os hotéis mais em conta da cidade ficam fora do minianel viário, na região de Ca’ Granda (próximo ao grande Hospital). A região está um pouco longe dos pontos turísticos mais importantes, mas seu acesso é fácil, já que há linha de metrô e de trams que cortam a área. Mas se você quiser ficar no umbigo das atrações, a melhor pedida é escolher os hotéis ou apartamentos instalados nas proximidades do centro histórico, especialmente nas cercanias do Giardini Pubblici Indro Montanelli ou do Parque Sempione.

Outra opção para quem busca maior comodidade é se instalar próximo às estações ferroviárias. Essa opção é útil para quem utilizar o trem rumo a outras cidades da Itália (ou da Europa) e também para quem vai ao aeroporto de Malpensa. Por concentrar a maior parte das linhas regionais, nacionais e internacionais, a estação Centrale é a mais prática. No entanto, seu entorno não é tão agradável. Nesse caso, o melhor é ficar mais próximo à estação Porta Garibaldi. Ambas levam ao terminal aéreo internacional.

O que visitar
A cidade é repleta de belíssimas e interessantes atrações turísticas. Ao menos três dias são necessários para aproveitar o que Milão tem de melhor. Confira alguns dos pontos mais importantes.

Navigli
A mais conhecida região boêmia de Milão está localizada em uma área cortada por uma rede de canais, utilizada por séculos como transporte de carga e pessoas. Hoje, abriga bares, restaurantes e lojinhas descoladas. O Navigli é facilmente acessível por metrô, mas como o serviço funciona até 0h30, procure se informar sobre ônibus noturnos e táxis para a volta.
COMO CHEGAR: Estação Porta Gênova (Linha 1) do metrô

Galeria Vittorio Emanuele

Milão

A Galeria Vittorio Emanuele é um templo do luxo e da moda em Milão

Uma das principais atrações da cidade está diretamente ligada à moda: a Galeria Vittorio Emanuele está encravada na região central da cidade, bem ao lado do Duomo e do Teatro Scala. Construído entre 1865 e 1877, trata-se de um belíssimo edifício em forma de cruz (junção de duas vias), com cobertura de ferro e vidro. O local abriga mecas do luxo como Prada, Louis Vouitton, Swarovski e Gucci. Conta ainda com bons restaurantes e sorveterias.
COMO CHEGAR: Estação Duomo, linhas 1 e 3 do metrô

Cenacolo Vinciano
Quer um único motivo para visitar o Cenacolo Vinciano? É o local onde está exposto o quadro “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. Por isso, é uma das atrações mais procuradas de Milão e você vai ficar na saudade se não fizer uma reserva online pelo Viva Ticket. Se não conseguir o ingresso pela internet, tente pelo telefone: o mestre Ricardo Freire tentou e conseguiu! A entrada inteira custa 8 euros e o audioguia (em inglês e italiano) sai por 3,50 euros. O Cenacolo está no convento Santa Maria delle Grazie, situado no centro de Milão. Ele está a cerca de 15 minutos (a pé) do Duomo e do Castelo Sforzesco.
COMO CHEGAR: Estação Conciliazione, Linha 1 do metrô.

Duomo

Milão

A impressionante catedral gótica surpreende pela riqueza de detalhes

A Catedral de Milão é uma das mais belas e impactantes da Europa. Construída em estilo gótico, começou a ser construída em 1386, sendo totalmente concluída apenas em 1813. É um colosso de 45 metros de altura, 157 de comprimento e 109 de largura. Suas 136 torres de mármore são um espetáculo para os olhos. Há várias opções de visita, com diferentes preços:

Tesouro do Duomo: 2 euros
Subterrâneos e Museu do Duomo: 6 euros (3 euros meia entrada)
Ida aos telhados: 7 euros (a pé) ou 12 euros (por elevador)
Ida aos telhados (por elevador), Tesouro e subterrâneos: 13 euros
COMO CHEGAR: Estação Duomo, linhas 1 e 3 do metrô

Teatro Scala
Talvez a mais famosa casa lírica do mundo, o Teatro Scala de Milão é um portento. Inaugurado em 1778, o edifício preserva todos os detalhes arquitetônicos da época. Trata-se de um local luxuoso e imponente. Mas é possível, sim, assistir a algum espetáculo por lá. Os ingressos para a ópera variam entre 13 e 210 euros; para o balé, entre 11 e 127 euros, enquanto para os concertos os preços oscilem de 5,5 a 73 euros. O mais recomendável é comprar com antecedência pelo site do teatro, especialmente para as atrações mais concorridas.

Vale também conferir o Museu do Teatro, que exibe instrumentos e figurinos antigos. O local fica aberto diariamente das Das 9 horas às 12h30 e das 13h30 às 17h30 (é possível entrar até às 17 horas). O ingresso custa 6 euros.
COMO CHEGAR: Estação Duomo, linhas 1 e 3 do metrô

Castelo Sforzesco
Instalado na região próxima ao centro histórico, o Castelo Sforzesco abrigou por séculos as dinastias Sforza e Visconti, que dominavam o Ducado de Milão. Logo de cara, somos recebidos pela Torre del Minarete. Algumas alas, como a Rochetta, têm entrada gratuita, mas é preciso pagar para ter acesso aos museus de Arte Antiga, Pinacoteca e de Instrumentos Musicais, com obras de Michelângelo e Leonardo da Vinci.
COMO CHEGAR: Estação Cairoli, linha 1 do metrô

Parque Sempione

Um conjunto de atrações faz do Parque Sempione um lugar delicioso

Um conjunto de atrações faz do Parque Sempione um lugar delicioso

Com mais de 370 metros quadrados, o Parque Sempione é a mais importante área verde da cidade e o refúgio preferido dos milaneses. Está localizado nos fundos do Castelo Sforzesco e é possível unir os dois passeios com facilidade. Entre suas principais atrações estão o Aquário Cívico, a biblioteca, a Torre Branca e a Arena Cívica, que abriga partidas de futebol e rugby.
COMO CHEGAR: Estação Cairoli, linha 1 do metrô

Leia mais: Castelo Sforzesco é atração obrigatória em Milão

San Siro
O estádio Giuseppe Meazza, um dos mais importantes templos do futebol mundial, tem capacidade para 80 mil pessoas e recebeu partidas das copas de 1934 e 1990. Neste local, jogam as duas grandes equipes locais, Internazionale e Milan. Nos dias em que não há jogos, funciona o Museu: a entrada custa 17 euros e dá direito a um tour pelas dependências do estádio. Menores de 15 e acima de 65 anos pagam 12 euros.
COMO CHEGAR: Em 2015 será inaugurado o trecho da Linha 5 do metrô que levará diretamente até o Estádio. Até lá, a melhor opção é descer na estação Lampugnano, na Linha 1

Pinacoteca di Brera
Uma das mais importantes coleções de arte da Itália está aqui, incluindo alguns dos mais belos e emblemáticos trabalhos do Renascimento. Entre as obras mais importantes estão os quadros “Achando o corpo de São Marcos”, de Tintoretto, e “O Casamento da Virgem”, de Rafael. Além dos mestres italianos, estão representados também nomes como Van Dyck, Rubens e Rembrandt. Também é possível fazer reserva online pelo Viva Ticket. A entrada custa 12 euros e o audioguia pode ser adquirido por 5 euros.
COMO CHEGAR: Estações Montenapoleone (Linha 3) ou Lanza Brera (Linha 2) do metrô

TEXTO E FOTOS: FÁBIO MENDES

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